Aspecto do Céu
Vermelho nascente que pronto descora,
Tempo de chuva que está p'ra demora.
Brilhante nascente que nuvens desfaz,
Reúne a companha que bom tempo nos traz.
Sol nascente desfigurado,
No Inverno, frio, no Verão, molhado.
Sol que nasce em nuvens sentado
não vás ao mar fica deitado.
Poente nubloso, vermelho acobreado
Safa a japona, que o tempo é molhado.
Sol posto ledo, com claro ao norte,
Andar sem medo que estás com sorte.
Nuvens aos pares, paradas, cor de cobre,
É temporal que se descobre.
Rosado sol posto
Cariz bem disposto.
Vermelha alvorada
Vem mal-encarada.
Nuvem comprida que se desfia
Sinal de grande ventania.
Miragem que espante
Vento do levante.
Com céu azul carregado,
Teremos o barco em vento afogado.
Mas se está claro, cheio de luz,
Haja alegria, que o tempo é de truz.
Foge de um céu azul aleitado;
Ou desces à câmara ou ficas molhado.
Céu pedrento, chuva ou vento,
Não tem assento.
Nuvens finas, sem ligação,
Bom tempo, brisas de feição.
Nuvens espessas e acumuladas,
Ventanias certas e continuadas.
Nuvens pequenas, altas e escuras
São chuvas certas e seguras.
Se grandes, correm desmanteladas,
Mau tempo, velas rizadas.
Castelos de nuvens sem nuvens por cima
São chuvadas certas mesmo sem rimas.
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Vento
Volta direita, vem satisfeita.
Volta de cão traz furacão.
Vento contra a corrente,
Levanta mar imediatamente.
De Espanha, nem bom vento,
Nem bom casamento.
Vento sudoeste mansinho e panga
É de tremer dele, quando se zanga.
Foi-se o nordeste, turvou-se o azul,
Fugiu do norte, foi para o sul.
Quando ao sol posto o norte é puro,
Tens bom tempo seguro.
Nordeste molhado,
Não te dê cuidado.
Vaga ao revés encrespada,
Vai dar-te o vento saltada.
Se um dia Deus quiser,
Até com norte pode chover.
Lua
Lua à tardinha com seu anel,
Dá chuva à noite ou vento a granel.
Lua com halo de grande aparato,
É molha certa prá gente de quarto.
Lua com circo,
água traz no bico.
Lua nova trovejada,
trinta dias é molhada.
Lua nova trovejada,
Oito dias é molhada.
Se ainda continua,
É molhada toda a lua
Lua empinada,
Maré repontada
Lua deitada
Marinheiro em pé.
Lua nova de Agosto carregou,
Lua nova de Outubro trovejou.
Lua Nova, Lua Cheia
Preia Mar às duas e meia.
Lua fora, lua posta
Quarto de maré na costa.
Céu limpo e lua no horizonte,
de lá te virá o vento.
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Estrêlas
Sem nuvens o céu e estrêlas sem brilho
Verás que a tormenta te põe num sarilho.
Arco-Íris
Manhã com arco mal vai o barco.
Se à tarde vem, é p'ra teu bem.
Nevoeiro
Se ao vale a névoa baixar, vai para o mar.
Mas se p'los montes se atrasa, fica em casa.
Depois de chuva, nevoeiro,
Tens bom tempo marinheiro.
Chuva
Se vem chuva e depois vento
Põe-te em guarda e toma tento.
Se tens vento e depois água,
Deixa andar que não faz mágoa.
Chuva miudinha como farinha
Dá vento do norte mas não muito forte.
Entre os Santos e o Natal
É Inverno natural.
Relâmpagos e Trovões
Horizonte puro, com fuzis brilhando,
Terás dia brando, com calor seguro.
Relâmpagosao norte, vento forte,
Se do sul vem, chuva também.
Poucos fuzis, trovões em barda,
Rumo em que o vento se alaparda.
Se um trovão seco no céu reboa,
Temporal violento nos apregoa.
Limpo horizonte que relampeja,
Dia sereno, calma sobeja.
Aves Marinhas
Se entra por terra a gaivota,
É que o temporal a enxota.
Quando a passarada berra,
O marinheiro procura terra. |